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Um desenrolar. Engatinhando sob o asfalto, me perco no caminho. Onde minhas mãos não chegam, sinto os pés flutuarem. A brisa, é vento, e o vento, é furação. A cada passo, sinto as articulações se soltarem como se, de repente, fossem feitas de gelatina, ou de vontade de viver. Sutil e breve. Mas, de alguma forma, consistente. Ao deslocar as mãos sob o furação sinto gotas se soltarem no ar. De mim, para o mundo. Um movimento específico e determinado. Marcado, como as lágrimas que escorrem, certas de nunca mais voltarem. A distância Marca o caminho Delimita minha força E prova o fim. Quando consigo ficar completamente em pé sei que ainda estou aqui. No mais, sinto as rugas, que nunca viram, se aproximarem. Os dedos se contorcem. No decorrer persisto a fim de está lá. De poder olhar para frente antes de fechar os olhos. Persisto a fim de saber quem foi, se foi, como foi... Um desenrolar sem ruído. Espero por raios e trovões. Vou ao som de nada.