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Mostrando postagens de maio, 2017

ATO

IV Há em mim, os outros que já não são monstros, nem espectros. Vejo por sobre os ombros aquilo se foi. O que não dói mais. Vejo dentro as afrontas e todo desdém que jogaram sobre mim. Nada dura muito tempo. Repeti. Como o único verso capaz de me recolocar no lugar. E aqui, é onde me lembro dos outros vinte ou vinte um que me remanejam para dentro. Como os únicos obstinadamente capazes de me recolocarem no lugar. Entendi a pouco tempo que a morte é um risco permanente na face. Uma marca permanente no corpo. Na pele. Nos jornais. Na calçada da minha casa. E estou a ponto de me riscar. De ficar. Lá. Porque me lembro que nada dura muito tempo. Porque lembro que não há cura. Porque lembro que ainda estou. Aqui. V Não somos nós Não somos dois Não somos Só nós Somos aquilo que se esconde Que se nega Que omite Mas somos algo Para além do sintomático Do fatalismo Da constatação Não somos só isso Somos algo além disso Além do alcance das mãos Além do toqu...