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Mostrando postagens de maio, 2016

vinteseis de maio de doismilemorreu

Permanecer intacta. Quando o olhar fere, tudo já se perdeu. A capacidade de reverter qualquer abraço em punhaladas, comprova o desespero que é está vivo. Para morrer, é preciso está vivo. Para amar, é preciso morrer.  Permanecer de pé. Mãos sobre os olhos não dão segurança e carícias em espinhos, não são conforto. Sua penosidade na minha vida, não é amor. A certeza da incredulidade no mundo tem sido o passo mais firme.  Permanecer ao lado da maca. Se foi. Se desse para voltar, seria carregada. E mesmo assim não estaria inteira. Não é mais possível ser.  Se foi. Permanecer no mundo. Permanecer. Não se pode mais viver. Não se pode mais respirar. Um tiro. Pra fora. Fora da casa. Da caixa. Fora. Onde ser você, já é morrer.

Fora da Caixa

As sobras são tão inevitáveis. Somos tão relevantes diante desse nada, diante desse que já é um vazio tão grande e desesperado. Aos gênios, um brinde de lama por tamanha bravura. Ao inocentes, uma taça de sangue por tamanha nobreza. Requer, e com urgência, que a boca diga algo. Sendo necessário abarcar o que, agora, parece impossível, percebendo os lugares e suas mobilidades dentro de uma sensatez (quando não descarada) ao menos mascarada de abrigo. Mesmo que as suas asas nunca batam, ou cheguem a saber o quanto é um lar, a sua coragem é fugaz. Ela é verde. Verde. Tão verde quanto tudo que já morreu. Com uma data definida, e um início tão esperado, está de pé, diante das montanhas, é sobreviver ao vento. Se concentrar em não negar, e saber, que mesmo quando o nada for seu tudo, será o mais perto de mim, de ti e dos que já não moram em nós, que chegará.  Se encostar a cabeça em qualquer lugar é dormir, então levantar-se é simplesmente existir. Se existir for isso, es...

Partida. Repartida.

não restarei. não me acumularei. irei. ao caminho para além do chão. para além do quarto e de sua janela conturbada. irei. sem restar nem um fio se quer. mesmo quando o sol parar de bater. quando as pontas. soltas. me ameaçarem. eu, que já não sei. não hei de saber. por onde. quando. e se somos todos. frutos de algo. de nada. de um nada que mora em nós. nosso nada. que é um nada falante. nada que diz. é nada que fala. nada que denuncia. nada que nada. nada que anda. nada que é. nada que fica. nada. que sou eu. sendo tudo. fora da casa. fora da caixa. fora do quarto. dessa redoma. fora. get out. fora ahora. fora aller fora. ainda agora. eu, já fui. se voltar fosse opção. morta está. morta ficará. get out. enquanto há tempo. respire. não respingue. vá, agora. embora. nada de amansar feras. embora agora. antes que suas mãos. suadas. queiram ficar. agora, enquanto, eu, estou aqui. pronta a mudar. pronta a dizer nada. quando for para tudo dizer. pronta, para ir à fora. para ir embora. ...

histoire deux

Imagem
 caminó - caminó - caminó por el camino 

histoire un

Escorria pela cadeira. Um ar de pretensão, associado ao desejo de me refazer enquanto pessoa. Com toda a compostura, que nunca tive, admiti que poderia ser minha grande chance. Olhando atentamente para o painel, tive certeza, era minha vez! No meio do desespero, com todas as ressalvas já feitas, cheguei a conclusão, não seria capaz de me mover até perceber o sinal. Deveria ser claro, caso contrário, eu não me daria ao trabalho de levantar. Com toda a certeza que poderia ter respirei fundo. Era chegada a hora de me colocar diante do mundo, enfrentar as realidades sem me perverter, ou perder a compostura, nunca adquirida. Fui pega em flagrante quando me dei conta do tamanho da bolsa que carregava. Eu não sei bem como, mas saí de casa com uma mala. Uma mala. Tudo para carregar uma carteira. A tal compostura, que nunca tive, foi ficando cada vez mais longe. Eu estava de havaianas. Claro que não fazia sentido carregar essa mala enorme. A compostura indo embora de vez. Eu tive a cer...