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ATO
IV Há em mim, os outros que já não são monstros, nem espectros. Vejo por sobre os ombros aquilo se foi. O que não dói mais. Vejo dentro as afrontas e todo desdém que jogaram sobre mim. Nada dura muito tempo. Repeti. Como o único verso capaz de me recolocar no lugar. E aqui, é onde me lembro dos outros vinte ou vinte um que me remanejam para dentro. Como os únicos obstinadamente capazes de me recolocarem no lugar. Entendi a pouco tempo que a morte é um risco permanente na face. Uma marca permanente no corpo. Na pele. Nos jornais. Na calçada da minha casa. E estou a ponto de me riscar. De ficar. Lá. Porque me lembro que nada dura muito tempo. Porque lembro que não há cura. Porque lembro que ainda estou. Aqui. V Não somos nós Não somos dois Não somos Só nós Somos aquilo que se esconde Que se nega Que omite Mas somos algo Para além do sintomático Do fatalismo Da constatação Não somos só isso Somos algo além disso Além do alcance das mãos Além do toqu...
ATO
I Alguns braços tentaram me parar E eu perseguia as luzes mesmo sem saber que vinha O vestido esvoaçante me detinha E pelo ar senti um cheiro familiar Cheiro de quem está há muito tempo em pé Ao pé da porta Teu olhar de espera me livrou das várias mãos que buscavam me prender Ao enlace de mãos Ao toque dos dedos Foi possível ver as nuvens em seus olhos Havia um caminho acimentado e cinzento a percorrer M uitos rostos e lágrimas para lavá -los U ma mão para amparar E o banco onde o descanso parecia certo Os e spinhos E um estrondo A cor ficava entre um amarelo vômito e um verde clorofila Nenhuma corrida cabia Nenhuma tentativa de não se deixar contaminar Talvez tuas nuvens tenham feito algo Talvez fosse m nosso...
