Postagens

Mostrando postagens de junho, 2017

ATO

VII Há uma apreensão no meu olhar Na forma como me movimento Como movimento as mãos Sinto que morro A cada dois segundos Quando as pernas faltam Meu estômago revira Como se me corroer por dentro fosse a única forma de estar vivo Vejo seus cabelos voarem pela noite E não posso mais me segurar O que tremia agora canta Com todo receio que me cabe Recuso o olhar cansado Convido seus lábios a dançarem Me abro Me deixo a vista Esperando o convite O sim Que me deixe entrar e habitar No refúgio mais amplo Vasto Mas me engano Você arrasta sobre mim as mãos Os calos Tudo que não pode jogar fora Me engano Quando te vejo por cima dos olhos Uma névoa te engole Me engano Porque não te vejo Sinto que morro A cada dois segundos Porque lembro do seu vulto Que me envolve   VIII  Você está sentado E tem os olhos compridos Que me tomam inteira Em cada centímetro sinto uma fincada Desse corte abrasador que refaz as minhas curvas Com receio de que caia ...