ATO
VII
Há uma apreensão no meu olhar
Na forma como me movimento
Como movimento as mãos
Sinto que morro
A cada dois segundos
Quando as pernas faltam
Meu estômago revira
Como se me corroer por dentro fosse a única forma de estar vivo
Vejo seus cabelos voarem pela noite
E não posso mais me segurar
O que tremia agora canta
Com todo receio que me cabe
Recuso o olhar cansado
Convido seus lábios a dançarem
Me abro
Me deixo a vista
Esperando o convite
O sim
Que me deixe entrar e habitar
No refúgio mais amplo
Vasto
Mas me engano
Você arrasta sobre mim as mãos
Os calos
Tudo que não pode jogar fora
Me engano
Quando te vejo por cima dos olhos
Uma névoa te engole
Me engano
Porque não te vejo
Sinto que morro
A cada dois segundos
Porque lembro do seu vulto
Que me envolve
VIII
Você está sentado
E tem os olhos compridos
Que me tomam inteira
Em cada centímetro sinto uma fincada
Desse corte abrasador que refaz as minhas curvas
Com receio de que caia
Lhe peço
Saia daí
Levante
Caminhe em minha direção
Não apenas olhe
Toque
Sinta
Chegue mais perto
É desconfortável lhe sentir na minha pele
Estando tão longe
IX
Ouvimos as vozes gritarem
Envoltas por um eco opressor
Que faz arder os ouvidos
E dói a garganta
Ouvimos os sons
Que entram pela janela enquanto estamos deitados
Vendo o tempo empelotar todas as nossas lembranças
E então ouvimos
Todas as coisas ao redor
Decorando as notas
A melodia
O tom
Para repetir
Em algum momento mais sofrido
Quando nos perdemos
E estivermos sós
Ouvimos as vozes gritarem
E rimos
Porque nossa forma de reger a vida
É dando vazão ao que não nos preenche mais
Porque erramos
Todas as vezes
Que ouvimos as vozes gritarem
Há uma apreensão no meu olhar
Na forma como me movimento
Como movimento as mãos
Sinto que morro
A cada dois segundos
Quando as pernas faltam
Meu estômago revira
Como se me corroer por dentro fosse a única forma de estar vivo
Vejo seus cabelos voarem pela noite
E não posso mais me segurar
O que tremia agora canta
Com todo receio que me cabe
Recuso o olhar cansado
Convido seus lábios a dançarem
Me abro
Me deixo a vista
Esperando o convite
O sim
Que me deixe entrar e habitar
No refúgio mais amplo
Vasto
Mas me engano
Você arrasta sobre mim as mãos
Os calos
Tudo que não pode jogar fora
Me engano
Quando te vejo por cima dos olhos
Uma névoa te engole
Me engano
Porque não te vejo
Sinto que morro
A cada dois segundos
Porque lembro do seu vulto
Que me envolve
VIII
Você está sentado
E tem os olhos compridos
Que me tomam inteira
Em cada centímetro sinto uma fincada
Desse corte abrasador que refaz as minhas curvas
Com receio de que caia
Lhe peço
Saia daí
Levante
Caminhe em minha direção
Não apenas olhe
Toque
Sinta
Chegue mais perto
É desconfortável lhe sentir na minha pele
Estando tão longe
IX
Ouvimos as vozes gritarem
Envoltas por um eco opressor
Que faz arder os ouvidos
E dói a garganta
Ouvimos os sons
Que entram pela janela enquanto estamos deitados
Vendo o tempo empelotar todas as nossas lembranças
E então ouvimos
Todas as coisas ao redor
Decorando as notas
A melodia
O tom
Para repetir
Em algum momento mais sofrido
Quando nos perdemos
E estivermos sós
Ouvimos as vozes gritarem
E rimos
Porque nossa forma de reger a vida
É dando vazão ao que não nos preenche mais
Porque erramos
Todas as vezes
Que ouvimos as vozes gritarem