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Mostrando postagens de janeiro, 2017

AMOR

eu o conheci por seus olhos. você sempre confiou nele. e isso. agora. mora em mim. entre as tormentas e os bons ventos. sempre fomos nós. você sempre iluminou meus olhos. e me ajudou a alimentar a alma. você é mais do que eu merecia. e dói não conseguir lhe dizer. me faltam todas as falhas palavras. que nunca preenchem os espaços. você sempre olhou por mim. e teu cuidado me fez grande. e forte. e confiante. e lhe agradeço por isso. porque me deu a alegria de te ver crescer. de ir além da margem. 

Poço

desci o mais fundo que pude para garantir que as feridas fossem feitas refeitas e nunca compensadas cheguei a juntar cacos cortei os dedos quase arranquei a mão desci desci o mais fundo que pude Pude enxergar a mão  –  pousou suave, macia e delicada  –  me envolver e alimentar, com alguma presteza que nunca esperei e com uma determinação assombrosa. Surgia em mim, com uma timidez desnecessária, uma fúria desconhecida.  Poderia ter sobrevivido apenas com uma dose. Mas eu sabia, precisava me encher para satisfazer a alma. O alimento era irreconhecível. Meu paladar, já muito gasto, foi obrigado a tolerar o não sabor e com repulsa engolir todos os pedaços. Uma substância que só desce com o auxílio de um colher de pau que o empurre goela abaixo.  Desceu. Assim como eu desci. E sem volta, permaneci.  Depois de tantos arranhões soube que só um sopro, muito forte, levaria para longe todo sangue que ficou sob a pele. Torcendo para que não arde...

Enquadramento

Imagem
Repetir metodicamente todos os passos Todos os quadros e molduras Repetir o movimento Sem qualquer rastro de leveza Repetir Ver o rosto cortado simetricamente E copiar todos os vícios Olhar por cima do ombro por trinta segundos Medir sistemicamente todos os tempos Como se tivesse dentro de si um cronômetro Dono da exatidão Da definição de qualquer forma perfeita de manter o tempo vivo E se capturá-lo com precisão Poderá ver que todas as vezes Me repito Com algum propósito de viver Ou de ver o tempo transcorrer lentamente Sobre meus olhos Hei de saber dos seus ângulos De como são múltiplos e precisos E das nunces que banham o contorno do seu corpo A passagem pelos túmulos até a volta ao convento é brusca passa por mim como por você de um passo ao outro sem ter muito o que dizer Então vejo E nego o que vejo Porque perdi a noção do tempo