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Mostrando postagens de dezembro, 2016

Ida

Sinto o passar do tempo no meu corpo Sinto o cheiro O gosto O suor O ardor de quem mudou e não voltará a ser Nada do que foi e do que ficou Sinto a onda me levar E não é para lavar Vou embora de vez Ou invés de lutar eu vou E se boiar não bastar Sento na estrada e espero o momento certo Espero pela sombra pela dobra pela ida Sinto o passar do tempo na pele Sinto os ossos O arder O desprender O morrer contínuo e longo E eu vou Embora 

(hoje)

tenho morado na dor. onde nenhum ar é leve nenhuma onda é suave e eu já não sou nada. onde nada sobressai ou sobrevive. tenho morado na dor por falta de lar. por falta de ar. por falta de amar. tenho morado na dor porque amei demais. ou porque nunca soube do amor. mas tenho morado na dor porque só lá posso amar. nada aqui é sobre a dor do amor ou sobre amar e doer. nada aqui é sobre sobreviver ao amor ou ao desamor ou a um tipo qualquer de dor. nada aqui é sobre um outro. nada aqui é sobre um outro além de mim. sobre um amor além do próprio. além do óbvio que nasce aqui. tenho morado na dor porque dói porque mata porque me sufoca respirar. tenho morado na dor porque qualquer tentativa de sair correndo não resultou não resolveu nem amenizou. tenho morado na dor porque mesmo quando não faz sentido tudo que tenho é isso aqui. é onde moro (hoje). onde me sufoco. e morro. e nasço. todos os dias. tenho morado na dor. como forma de sobreviver. ou tentativa de sobrevivência. tenho morado na d...