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Mostrando postagens de dezembro, 2017

o cuidado que meu corpo sente

eu quero dizer que gosto de como você olha para vida  porque gosto de você olhando para vida da forma como vê a vida e como isso vem sobre os ombros sem peso mas parece que vai cair, tombar, sobre mim como quem dedica um abraço longo cheio comprido e sua ternura é algo que não atinjo mas quero perto porque me olha me cuida e se os olhos, também compridos, me colocam em mim me devolve para mim, suas mãos delicadas e dedicas me conduzem a ser alguém maior mas não maior do que os outros ao ponto de explodir ser maior do que eu acho que sou seus olhos compridos me tomam e eu sem medo me deixo ir  

Depois das Imagens

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ao longo do tempo algo há se mostrar. ou serão os dentes, ou serão os medos, ou será a alma. em um percurso pouco, ou nada, ou nunca, se diz da chegada. e se digo dessa chegada, que nunca se sabe quando finda, não é possível dizer muito. o primordial é que às vinte e duas horas de viagem sejam agradáveis, que o ônibus balance pouco, que pare pouco, que chegue logo. as unhas doem e o corpo, já muito cansado, deseja uma cama familiar. a estadia traz o costume. agora, ao se deparar com os lençóis, o corpo cede porque a dor é grande.  o corpo estranha o ambiente como se desejasse estar longe onde logo se dorme  mesmo sem tanto cansaço ou onde não se cansa tanto. o retorno é uma aprendizagem, ou uma outra forma de aprender a ser de novo. e se o corpo descansa pedindo por uma cama já não está ali, ele reaprende a se colocar. diante da cama, do muro, da janela com grades diante de outro contexto, outro céu, outra gente, outro nada. se o corpo ...

Entre as Imagens

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se for para seguir um caminho conhecido, e dizer de coisas conhecidas, ou para falar de ditos quase populares, minha casa é minha vida, ou melhor dizendo, minha casa, minha vida. não é algo que ocorre separado, para haver a casa, é preciso a vida. é minha casa que é minha vida, não o contrário. no pensamento C. a casa, o bem, o rentável é a vida, se digo que sem a vida não há casa isso é quase uma violência. Lygia diria que a casa é o corpo, que o útero da mãe é a casa, onde se aconchega, mas se o corpo for a casa como supõe Wurm, a casa segue sendo parte do corpo, ou melhor, consequência do corpo. se o corporativo te diz que é o endereço é o que conta, esse corpo estranho, sobretudo armado, ele pressupõe que o corpo é só mais um corpo e não uma casa. o corpo que caí, que tomba, não há de se erguer nunca mais. em média isso acontece a cada 23 minutos. mas não só esse corpo, esse que tem uma marca claramente visível, esses todos que virão montanhas. sucumbem até o fim. e...

Imagens do Rio de Janeiro IV

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no rio, o mar é tudo que a vista alcança. - tenho engolido a seco tenho engolido a seco todas essas coisas não desce nenhuma gota de sangue nem uma gota de água nada - volto pela terra, para a terra. - no caminho para casa há muitas pedras, mas são as montanhas que parecem me engolir. - sobrevoo suas águas e ouço um chamamento, são os sóis brilhando me dizendo olá me dizem para ficar que a demora aqui dura pouco mas costuma mudar a forma como você recebe o sol - uma mão passa pelas minhas costas diante dos outros que fingem não ver ou que não vêem de fato e eu permaneço vendo o mar a maresia como se os toques as vozes os olhares e essa neblina fossem parte da minha pele - a partida é, sempre já, um anuncio da volta, ou, uma possibilidade de voltar.