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ATO

VII Há uma apreensão no meu olhar Na forma como me movimento Como movimento as mãos Sinto que morro A cada dois segundos Quando as pernas faltam Meu estômago revira Como se me corroer por dentro fosse a única forma de estar vivo Vejo seus cabelos voarem pela noite E não posso mais me segurar O que tremia agora canta Com todo receio que me cabe Recuso o olhar cansado Convido seus lábios a dançarem Me abro Me deixo a vista Esperando o convite O sim Que me deixe entrar e habitar No refúgio mais amplo Vasto Mas me engano Você arrasta sobre mim as mãos Os calos Tudo que não pode jogar fora Me engano Quando te vejo por cima dos olhos Uma névoa te engole Me engano Porque não te vejo Sinto que morro A cada dois segundos Porque lembro do seu vulto Que me envolve   VIII  Você está sentado E tem os olhos compridos Que me tomam inteira Em cada centímetro sinto uma fincada Desse corte abrasador que refaz as minhas curvas Com receio de que caia ...

ATO

IV Há em mim, os outros que já não são monstros, nem espectros. Vejo por sobre os ombros aquilo se foi. O que não dói mais. Vejo dentro as afrontas e todo desdém que jogaram sobre mim. Nada dura muito tempo. Repeti. Como o único verso capaz de me recolocar no lugar. E aqui, é onde me lembro dos outros vinte ou vinte um que me remanejam para dentro. Como os únicos obstinadamente capazes de me recolocarem no lugar. Entendi a pouco tempo que a morte é um risco permanente na face. Uma marca permanente no corpo. Na pele. Nos jornais. Na calçada da minha casa. E estou a ponto de me riscar. De ficar. Lá. Porque me lembro que nada dura muito tempo. Porque lembro que não há cura. Porque lembro que ainda estou. Aqui. V Não somos nós Não somos dois Não somos Só nós Somos aquilo que se esconde Que se nega Que omite Mas somos algo Para além do sintomático Do fatalismo Da constatação Não somos só isso Somos algo além disso Além do alcance das mãos Além do toqu...

ATO

I   Alguns braços tentaram me parar   E eu perseguia as luzes mesmo sem saber que vinha   O vestido  esvoaçante  me detinha   E pelo ar senti um cheiro familiar   Cheiro de quem está há  muito tempo em pé   Ao pé da porta   Teu olhar de espera me livrou das várias mãos que buscavam me prender   Ao enlace de mãos   Ao toque dos dedos   Foi possível ver as nuvens em seus olhos   Havia um caminho  acimentado  e cinzento a percorrer   M uitos rostos  e lágrimas para lavá -los   U ma mão para amparar    E  o banco onde o descanso parecia certo   Os e spinhos   E um estrondo   A cor ficava entre um amarelo vômito e um verde clorofila   Nenhuma corrida cabia   Nenhuma tentativa de não se deixar contaminar   Talvez tuas nuvens tenham feito algo   Talvez fosse m  nosso...