Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2020

para a única Maria que já amei

você é uma miragem fluída-orgânica-viva presa nas memórias que inventei a fim de te manter por perto os desenhos e rabiscos e fotos sem nomes os rostos quase apagados me iludem sou constantemente transportada para uma cidade que não conheço te faço de cabelos longos e brancos te crio para manter algum semblante sorridente por perto a dor na cabeça depois de usar qualquer acessório para prender o cabelo herdei de você a sensibilidade no alto da cabeça os olhos meio puxados o pavor ao grito arrumo minha cama pela manhã e penso que a senhora poderia ter me instruído a isso o meu nome quase foi o seu nome eu não tenho o seu sobrenome mas o meu nome quase foi o seu nome e o nome da sua mãe vocês duas estariam presentes em mim pelo nome que sua filha iria me dar mas o meu nome acabou por evocar uma dose daquilo que nos falta a alegria e nessa vida de desencontros lamento nossos tempos diferentes não conheci sua voz e por vezes choro em vão o buraco que construí ao seu redor os abraços que nu...