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Mostrando postagens de novembro, 2017

Imagens do Rio de Janeiro III

consigo visualizar as nuances e me pego enxergando embaçado e é pelos olhos esses mesmos olhos que se vêem diante de um espelho cortado onde a mão se ergue e parece permanecer no ar pairando sem muita força e sem vontade de tê-la vejo um rosto sobre o travesseiro um corpo que dorme tranquilo ou que busca isso posso ficar ali por horas consigo visualizar todos os fios e penso nos outros corpos que deixei naqueles que não vejo a algum tempo na dor que me cortar fico parada pensando no quanto demorei para ver esse corpo na minha frente e agora ali diante de mim consigo visualizar uma parte muito comprida da minha vida uma parte que se cala diante do outro não por medo não por temor mas para visualizar todos os detalhes e é deles que se trata se for para tratar de algo é eles que vejo sobre a cama os detalhes de uma vida que não é só um corpo que não é só um rosto imagino as coisas que não sei as que nunca saberei e as que deixei passar por algum relapso vis...

Imagens do Rio de Janeiro II

eu vendo o mar.   digo, eu vendo o mar daqui.    eu vendo o mar ao vivo.    eu. e o mar.    e se digo em francês, penso na minha mãe.   se caminho do seu lado penso que nunca vi nada tão grande. nem o branco das nuvens.    e escuto seu som que parece me dizer pra ficar. pra ficar mais.    ouço o mar me dizer que voltar pra casa é voltar pra cá.    casa.   tenho ouvido o som desse lugar. dessa casa. dessa casa que sente dor. que ver o mar. que quer porque quer ficar.   eu vendo o mar penso em algumas histórias.    mas é vendo a areia que me agarro ao que aprendi mesmo sem saber. com algum custo a imaginação te coloca em um lugar incontornável.    com muito custo você se coloca na vida. bem de frente.    digo vendo o mar porque esse encontro é sobretudo  único  e i...

Imagens do Rio de Janeiro I

Pareço me reconhecer nesse mar que vejo pela janela Como se nunca estivesse estado em outro lugar longe daqui Como se nada fosse outra coisa que não essa Aqui Vendo pela janela Olhando esse amar Encarando os livros e as vozes Pareça ser atingida por tudo aquilo que venho deixando de lado Como quem está pronta para um tiro final Que acerte de vez Bem aqui Nessa janela E deixe uma marca (que a essa altura já não saí) Para quando eu voltar E não mais tiver essa janela na minha frente Eu possa ver o mar Todos os dias