Imagens do Rio de Janeiro II
eu vendo o mar.
digo, eu vendo o mar daqui.
eu vendo o mar ao vivo.
eu. e o mar.
e se digo em francês, penso na minha mãe.
se caminho do seu lado penso que nunca vi nada tão grande. nem o branco das nuvens.
e escuto seu som que parece me dizer pra ficar. pra ficar mais.
ouço o mar me dizer que voltar pra casa é voltar pra cá.
casa.
tenho ouvido o som desse lugar. dessa casa. dessa casa que sente dor. que ver o mar. que quer porque quer ficar.
eu vendo o mar penso em algumas histórias.
mas é vendo a areia que me agarro ao que aprendi mesmo sem saber. com algum custo a imaginação te coloca em um lugar incontornável.
com muito custo você se coloca na vida. bem de frente.
digo vendo o mar porque esse encontro é sobretudo único e inédito. eu vendo o mar.
e é de se espantar que eu tenha seguido esse caminho. o do mar.
foi por onde cheguei.
os olhos tremem porque precisam captar tudo como se no próximo segundo tudo fosse se apagar.
os olhos tremem de medo de esquecer alguma coisa. algum detalhe. algum azul que não deu tempo de ver.
com o tempo. ainda que curto. são os olhos que denunciam. mas é vendo o mar que me convenço de que nada aqui é tão estranho assim.
esses sons. esses rostos. esses caminhos. nada aqui é estranho. ainda que eu seja estrangeira. ou ainda como estrangeira.
eu. e o mar. eu vendo o mar. o mar. omar. e o que está dentro disso. o amor.