Depois das Imagens
ao longo do tempo algo há se mostrar.
ou serão os dentes, ou serão os medos, ou será a alma.
em um percurso pouco, ou nada, ou nunca, se diz da chegada.
e se digo dessa chegada, que nunca se sabe quando finda, não é possível dizer muito.
o primordial é que às vinte e duas horas de viagem sejam agradáveis,
que o ônibus balance pouco, que pare pouco, que chegue logo.
as unhas doem e o corpo, já muito cansado, deseja uma cama familiar.
a estadia traz o costume.
agora, ao se deparar com os lençóis, o corpo cede
porque a dor é grande.
o corpo estranha o ambiente
como se desejasse estar longe
onde logo se dorme
mesmo sem tanto cansaço
ou
onde não se cansa tanto.
o retorno é uma aprendizagem, ou uma outra forma de aprender a ser
de novo.
e se o corpo descansa
pedindo por uma cama já não está ali,
ele reaprende a se colocar.
diante da cama,
do muro,
da janela com grades
diante de outro contexto, outro céu, outra gente, outro nada.
se o corpo que me sustenta diz de mim cedendo
compreendo que a falta é um dos riscos na minha pele.
não brindo ao costume, nem as horas em que me demoro tentando entender o costume,
o que é certo
ou o que é menos distante
é a forma como o corpo se re-acostuma ao ambiente.
de novo.
e se o corpo descansa
pedindo por uma cama já não está ali,
ele reaprende a se colocar.
diante da cama,
do muro,
da janela com grades
diante de outro contexto, outro céu, outra gente, outro nada.
se o corpo que me sustenta diz de mim cedendo
compreendo que a falta é um dos riscos na minha pele.
não brindo ao costume, nem as horas em que me demoro tentando entender o costume,
o que é certo
ou o que é menos distante
é a forma como o corpo se re-acostuma ao ambiente.