Entre as Imagens
se for para seguir um caminho conhecido, e dizer de coisas conhecidas,
ou para falar de ditos quase populares, minha casa é minha vida,
ou melhor dizendo, minha casa, minha vida.
não é algo que ocorre separado, para haver a casa, é preciso a vida.
é minha casa que é minha vida, não o contrário.
no pensamento C. a casa, o bem, o rentável é a vida,
se digo que sem a vida não há casa isso é quase uma violência.
Lygia diria que a casa é o corpo, que o útero da mãe é a casa,
onde se aconchega,
mas se o corpo for a casa como supõe Wurm, a casa segue sendo parte do corpo, ou melhor, consequência do corpo.
se o corporativo te diz que é o endereço é o que conta, esse corpo estranho, sobretudo armado, ele pressupõe que o corpo é só mais um corpo e não uma casa.
o corpo que caí, que tomba, não há de se erguer nunca mais.
em média isso acontece a cada 23 minutos.
mas não só esse corpo, esse que tem uma marca claramente visível,
esses todos que virão montanhas. sucumbem até o fim. e ali, o corpo não é casa. corpo é número.
ouço uma voz que me questionar. não, eu não vou pra Rocinha, eu vou pro Leblon.
o corpo emite um suspiro de alívio.
eu não subo na favela.
meu corpo, que está longe da sua casa física habitual, é estranho ao ambiente.
se ando na rua, logo olham pra traz. e é o corpo, com sua marca eminente, que julgam.
o adorno, a roupa bem passada é o outro discurso, ou a outra face do corpo,
que o justifica e o mantém vivo.
hoje em dia é precioso ter cuidado.
meu corpo é estranho ao ambiente. sobretudo porque não é minha casa. ali, não é minha casa,
essa casa física que te protege do externo
ou que tenta, falhando, lhe proteger.
esse cuidado, esse cuidado que esse outro corpo me diz, que é preciso ter
é na verdade uma marca do horror que ele tem,
guardado. guardado em seu corpo.
há um temor que meu corpo, que é a minha casa, que é também, ou que pode ser
minha sentença, nunca se livra.
o temor de não chegar nessa casa física,
murada,
que cuida.
porque o meu corpo, mesmo sendo a minha casa
e dessa forma, a minha casa que é o meu corpo, não consegue me proteger do mundo.
não sempre e não o tempo todo.
e a cada 23 minutos sinto que minha casa se abala diante dos olhares.
os corpos que vi, nas ruas desse ambiente, se parecem com o meu.
eles carregam carrinhos,
portam uniformes.
esse ambiente não é meu lugar.
e não há de ser minha casa.
não aqui onde a veste pode ser a mortalha.
ou para falar de ditos quase populares, minha casa é minha vida,
ou melhor dizendo, minha casa, minha vida.
não é algo que ocorre separado, para haver a casa, é preciso a vida.
é minha casa que é minha vida, não o contrário.
no pensamento C. a casa, o bem, o rentável é a vida,
se digo que sem a vida não há casa isso é quase uma violência.
Lygia diria que a casa é o corpo, que o útero da mãe é a casa,
onde se aconchega,
mas se o corpo for a casa como supõe Wurm, a casa segue sendo parte do corpo, ou melhor, consequência do corpo.
se o corporativo te diz que é o endereço é o que conta, esse corpo estranho, sobretudo armado, ele pressupõe que o corpo é só mais um corpo e não uma casa.
o corpo que caí, que tomba, não há de se erguer nunca mais.
em média isso acontece a cada 23 minutos.
mas não só esse corpo, esse que tem uma marca claramente visível,
esses todos que virão montanhas. sucumbem até o fim. e ali, o corpo não é casa. corpo é número.
ouço uma voz que me questionar. não, eu não vou pra Rocinha, eu vou pro Leblon.
o corpo emite um suspiro de alívio.
eu não subo na favela.
meu corpo, que está longe da sua casa física habitual, é estranho ao ambiente.
se ando na rua, logo olham pra traz. e é o corpo, com sua marca eminente, que julgam.
o adorno, a roupa bem passada é o outro discurso, ou a outra face do corpo,
que o justifica e o mantém vivo.
hoje em dia é precioso ter cuidado.
meu corpo é estranho ao ambiente. sobretudo porque não é minha casa. ali, não é minha casa,
essa casa física que te protege do externo
ou que tenta, falhando, lhe proteger.
esse cuidado, esse cuidado que esse outro corpo me diz, que é preciso ter
é na verdade uma marca do horror que ele tem,
guardado. guardado em seu corpo.
há um temor que meu corpo, que é a minha casa, que é também, ou que pode ser
minha sentença, nunca se livra.
o temor de não chegar nessa casa física,
murada,
que cuida.
porque o meu corpo, mesmo sendo a minha casa
e dessa forma, a minha casa que é o meu corpo, não consegue me proteger do mundo.
não sempre e não o tempo todo.
e a cada 23 minutos sinto que minha casa se abala diante dos olhares.
os corpos que vi, nas ruas desse ambiente, se parecem com o meu.
eles carregam carrinhos,
portam uniformes.
esse ambiente não é meu lugar.
e não há de ser minha casa.
não aqui onde a veste pode ser a mortalha.
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| Colagem nº1 feita para o zine Lado ZX lançado pelo selo Piqui. 2017. |
