histoire un


Escorria pela cadeira. Um ar de pretensão, associado ao desejo de me refazer enquanto pessoa. Com toda a compostura, que nunca tive, admiti que poderia ser minha grande chance. Olhando atentamente para o painel, tive certeza, era minha vez!
No meio do desespero, com todas as ressalvas já feitas, cheguei a conclusão, não seria capaz de me mover até perceber o sinal. Deveria ser claro, caso contrário, eu não me daria ao trabalho de levantar.
Com toda a certeza que poderia ter respirei fundo. Era chegada a hora de me colocar diante do mundo, enfrentar as realidades sem me perverter, ou perder a compostura, nunca adquirida.
Fui pega em flagrante quando me dei conta do tamanho da bolsa que carregava. Eu não sei bem como, mas saí de casa com uma mala. Uma mala. Tudo para carregar uma carteira. A tal compostura, que nunca tive, foi ficando cada vez mais longe.
Eu estava de havaianas.
Claro que não fazia sentido carregar essa mala enorme.
A compostura indo embora de vez. Eu tive a certeza, não me levariam à sério. Eu não poderia nem ao menos recorrer, ou pedir perdão por tudo. Deixaria que falassem, não os culparia.
—  Senhor, com licença, ainda vai demorar muito? Estou aqui já faz uma hora.
— Minha senhora, você pegou sua senha certo? Então espere como todos. Essas coisas sempre demoram.
Não sabia o que dizer. Me encolhi no banco o máximo que pude, pensei até que havia feito um buraco, e fiquei paralisada. Olhando para o painel com a esperança de ser a próxima. Ainda faltavam cinco pessoas.

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