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mil metros

do mar não se vê as janelas do mar não se vê as grades sobrevoo o mar pela terra mil metros acima e o sangue escorre do mar não se vê os olhos tristes de quem chora e rega com desespero os dias que se passam mil metros acima do mar

o emergir da língua

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Sem título, Manubu Mabe, 1998. do mar nasceu a língua a língua não veio das estantes veio do mar do cruzamento das ondas os tempos se encontram no mar no levantar das ondas a língua nasceu da espuma do mar

o amor faz a linguagem se desmontar

a linguagem não dá conta de dizer do amor isso é a linguagem não dá conta da voz do amor a linguagem falha a linguagem não dá conta de dizer do amor essa categoria robusta que contorna corpos e dizer com ajuda da linguagem o que não pode proferir o som que o amor gera é inaudito ouvido algum já o escutou o som de um trovão a linguagem não abarca tudo ela escorrega escorre o silêncio de uma voz é o som do amor invadindo a linguagem ele diz do amor o que a linguagem não dá conta o som do silêncio no amor talvez o som sempre falhe diante do amor

percurso ou caminho ou conjunto

o corpo está em um ambiente a cabeça habita o fundo o não centrado o deslocado ao norte o corpo ambiente durável sem ser eterno o lugar da concepção do que pode ser mesmo que tentem subverter ele habita um outro lugar pensar no que se dá a ver daqui em uma distância que pode durar apenas uma hora e meia inunda o que me atravessa: ir em direção ao fundo ou mais fundo o mais profundo pode ser a pele ir a fundo é também ir sem chão ir cada vez mais a fundo percorrer a pele do outro o que eu vejo diante de mim: um corpo aberto o desejo aberto ao corpo o desejo inundando o corpo o corpo e o desejo um trajeto conjunto o que encontro diante de mim: uma abertura o que me convida a existir em conjunto dança de corpos a troca de cheiros e líquidos e substâncias dentro daquilo que é pura existência do amor

da chegada da seca sobre minha cabeça

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hoje o céu azul me cegou há dias onde é impossível ignorar o céu azul sobre minha cabeça na maioria dos dias o céu azul nessa época do mundo é a coisa mais bonita do dia nos dias tão duros e surrados o céu azul que cega é também a melhor coisa que vejo na maioria dos dias o céu azul é a coisa mais bonita que vejo o azul não se mistura com o verde e fico desejando começar uma pintura eu que não pinto desejo pintar o céu azul e os tons verdes sobreviventes desejo pintar a imensidão azul sobre o verde persistente fincado em um marrom decidido essa é a paisagem dos dias os contrastes não a mistura mas o contraste entre os espaços eles ficam tão evidentes nessa época do ano cores definidas o cerrado tem cores definidas e se alimenta com pouca água precisa de pouca água para viver mas nós que não somos vegetação mas adentramos e vivemos nesse meio não somos parte natural dessa paisagem vivemos sofrendo com os narizes e as dores ...

[arranjo de eclesiastes ou o pregador 1]

geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo o vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol há alguma coisa de que se possa dizer; vê, isto é novo? não! já foi nos séculos que foram antes de nós já não há lembranças das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas

d.

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poderia nunca lhe enviar uma resposta e comer meu silêncio e minhas lágrimas sozinha poderia ter comido os poemas e me saciado sozinha aos prantos poderia ter ficado com o gozo dos poemas só pra mim não sei se deveria lhe responder assim mas preciso lhe endereçar algo que não sei porque nem como quero lhe entregar ou devolver já que eu comi seus poemas me vem uma imagem quatro peixes um fundo verde e uma frase não decifro o que você diz eu não entendo e isso me corta de alguma forma para os únicos que precisam entender ou talvez a frase seja só para aqueles que precisam entender se vier em outro tom pode ser para aqueles que precisam entender incluindo outros três amigos um peixe para cada um não sei bem o lugar mas tem uma forma de dizer isso a outra imagem que surge é anterior a essa dos peixes você está diante de uma escultura de madeira sentada ao chão e pede para olhar bem a cada vez que você sopra a estrutura mini peixes sobem até a superfície eles s...