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para Larinha

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para Larinha te desejo uma vida possível com todas as possibilidades possíveis te desejo o encontro real de corpos e uma abertura a vida te desejo tudo isso enquanto você dirige desejo te encontrar sempre nessa vida com vida te rondando te cercando desejo poder lhe desejar vida e mais anos de vida nesse tempo de vida que nós temos o que eu sei de você é muito pouco quase nada pense bem o que eu sei é o que leio de você e o que você me deixa ler e isso não me faz te amar menos me faz desejar mais e esse desejo me faz querer te ver na vida sempre mais desejo que seus olhos de peixe morto estejam em contato com a vida bem de perto eu desejo que você deseje os seus desejos como nenhuma outra pessoa pode a vida não é só um dia após o outro ela é soma desses acúmulos todos de todos os dias

mil metros

do mar não se vê as janelas do mar não se vê as grades sobrevoo o mar pela terra mil metros acima e o sangue escorre do mar não se vê os olhos tristes de quem chora e rega com desespero os dias que se passam mil metros acima do mar

o emergir da língua

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Sem título, Manubu Mabe, 1998. do mar nasceu a língua a língua não veio das estantes veio do mar do cruzamento das ondas os tempos se encontram no mar no levantar das ondas a língua nasceu da espuma do mar

o amor faz a linguagem se desmontar

a linguagem não dá conta de dizer do amor isso é a linguagem não dá conta da voz do amor a linguagem falha a linguagem não dá conta de dizer do amor essa categoria robusta que contorna corpos e dizer com ajuda da linguagem o que não pode proferir o som que o amor gera é inaudito ouvido algum já o escutou o som de um trovão a linguagem não abarca tudo ela escorrega escorre o silêncio de uma voz é o som do amor invadindo a linguagem ele diz do amor o que a linguagem não dá conta o som do silêncio no amor talvez o som sempre falhe diante do amor

percurso ou caminho ou conjunto

o corpo está em um ambiente a cabeça habita o fundo o não centrado o deslocado ao norte o corpo ambiente durável sem ser eterno o lugar da concepção do que pode ser mesmo que tentem subverter ele habita um outro lugar pensar no que se dá a ver daqui em uma distância que pode durar apenas uma hora e meia inunda o que me atravessa: ir em direção ao fundo ou mais fundo o mais profundo pode ser a pele ir a fundo é também ir sem chão ir cada vez mais a fundo percorrer a pele do outro o que eu vejo diante de mim: um corpo aberto o desejo aberto ao corpo o desejo inundando o corpo o corpo e o desejo um trajeto conjunto o que encontro diante de mim: uma abertura o que me convida a existir em conjunto dança de corpos a troca de cheiros e líquidos e substâncias dentro daquilo que é pura existência do amor

da chegada da seca sobre minha cabeça

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hoje o céu azul me cegou há dias onde é impossível ignorar o céu azul sobre minha cabeça na maioria dos dias o céu azul nessa época do mundo é a coisa mais bonita do dia nos dias tão duros e surrados o céu azul que cega é também a melhor coisa que vejo na maioria dos dias o céu azul é a coisa mais bonita que vejo o azul não se mistura com o verde e fico desejando começar uma pintura eu que não pinto desejo pintar o céu azul e os tons verdes sobreviventes desejo pintar a imensidão azul sobre o verde persistente fincado em um marrom decidido essa é a paisagem dos dias os contrastes não a mistura mas o contraste entre os espaços eles ficam tão evidentes nessa época do ano cores definidas o cerrado tem cores definidas e se alimenta com pouca água precisa de pouca água para viver mas nós que não somos vegetação mas adentramos e vivemos nesse meio não somos parte natural dessa paisagem vivemos sofrendo com os narizes e as dores ...

[arranjo de eclesiastes ou o pregador 1]

geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo o vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir o que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol há alguma coisa de que se possa dizer; vê, isto é novo? não! já foi nos séculos que foram antes de nós já não há lembranças das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas