nada dura muito tempo

nada fica muito tempo. muito tempo para muitas coisas. muito tempo de muitas coisas. quase um vendavaarrastando-se sobre mim. desgovernada. adentrei um esconderijo. dirijo-me ao fundo. dirijo-me ao fim. ao fundo do fim. ao fim do fundo. interminável sobrevivênciauma não solidão. enfim o fim. sem temposem armas. sem amarras. por fim. chegando ao fim. vem a morte. sem duração infinita. aviso eminente. oficial. sem resistência. nada fica muito tempo. caíram. de fato, já é o fim. os não tons. os (des)tons. burunganda. nica. tal vez, conozca como frivolidade. hace tiempo, me retrateitudo em mim, passou.soa como nov(a)idade. renasci em mim, como sol sem luz. apagaram as luzes. restei sentada no fundo da sala. um esconderijo desastrosopassei tudo em minha mente. sete vezes. sete dias por semana. sete horas por dia. poderia sentar. poderia chorar. poderia vomitar. já não há tempo. já não é tempo. restei como pedaço do fim. como sombra de mim. sentada, sem pressa. por fim, fechei os olhos. esqueci que era, um esconderijo escuro.  não fica muito tempo. não há mais tempo. terminada a cena, é hora de voltar. reaver o caminho. câmara escura. trancamento certo. me olho com desdém pelo espelho sujo. sei das lástimas que vivisei da gente que vije suis la vieje suis la mort. entre entradas e partidas, reerguer. desilusão dos que vão em pé, sobre pé, acima dos pés. já andam tão cansados, incapazes de responder. de dizerem sim, ou mentirem um não. partir. não há mais tempo para choramingar. lutar. persistir pelo inaudível. se fazer ouvir. pertencer a si, permanecer em si, em pé! grite! berre! nada fica muito tempo. já não é tempo de omitir-se.  necessidade de resistência. fim as carícias em um eu doente.  
  
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nada dura muito tempo. determinação de fatos. e até quando, se houver uma chance, tentaremos nos salvar. se existem interrogações, não saberei pontuar. sigo dentro desse cubo, que chamo de quarto. redenção, ou contratação, são sinônimos agora. não se sabe ao certo se por bem, ou por mal, estamos todos querendo sentar na janela. ou próximo dela. compenetrados em nós. ou nos outros. talvez sejamos mentirosos. umas faces obscuras. não vejo nada nesse breu. e esse chão, tão gelado, é um convite. não se sabe bem para quê, mas as ilusões são bem vistas daqui de cima. nada dura muito tempo. e esse segundo tem sido eterno.