ATO

X

tenho visto as peles e as dobras sobre o corpo
tenho visto seu reflexo em mim
e me dói
me mata
todas as vezes que me vejo longe de ti
um risco se fez aqui
um risco em mim
com saudade de você
que se esvai todas às vezes que me falta a fala
e o medo
só o medo
me alimenta
porque me mantenho longe
e espero nunca chegar tão perto
de lhe tocar

XI

se me curvo para olhar pela fresta
não sou eu ali
não sou eu em ti
não sou eu que te acalanto
e me curvo esperando encontrar
uma chance de me aproximar do teu cheiro
olho devagar
olho de lado
e evito olhar demais
mas já me dói o corpo
e as mãos
e todos os nãos
que alimento em mim
pretendo chegar perto e me colocar diante de ti
como se a cura
(se couber a cura)
me proporcionasse um arrependimento por lhe dizer sim dentro de mim e matá-lo por fora
cabe a mim
ou enfim
destranca-lo daqui

XII

me despeço quantas forem necessárias
me despedaço quantas vezes for possível
e me deito
pronta para cair no próximo penhasco
sem detalhar muito
ou sem muito pestanejar
procuro não alimentar as mentiras que criei por saber das suas intenções
para não nega-las
para parar de esconde-las
deveria eu alimenta-las para me manter sã
e a unica forma de permanecer em pé ao seu lado é pestanejar
é esconder
é negar
é esconder
e sei
só eu sei daqui
das vezes que hesitei
e me dobrei
curvando sobre mim mesma para não deixar escorrer o que guardo de ti



Postagens mais visitadas deste blog

o emergir da língua

ATO

ATO