SUMAÚMA
o alimento devolve ao corpo um certo vigor
neutraliza o que incomoda e
devolve uma certa disposição ao corpo
não sem causa
não sem aviso
o corpo sabe que não se vive só de alimento
não se vive de um só alimento
não se alimenta de uma unica fonte
o corpo sabe que para sua manutenção a desestabilização
é mais do que pertinente
é mais do que vital
o corpo sabe que o que sente vai além das evidências
do tempo
é preciso conviver com as fomes do corpo
é preciso resistir e se afastar do que não gera fome
ao corpo
um corpo vive de sua fome
um corpo mata a sua fome
um corpo precisa da sua fome
precisa comer
precisa do sono
do sonho
precisa descansar para saciar a fome e para ter
mais fome
eu hoje como um alimento que desconheço
mesmo com o estômago enjoado
mesmo com o estômago revirado
como um alimento que parece nunca matar a fome
ele gera mais fome
mais fome
e recordo de uma voz que come meus ouvidos
ela tenta me dizer
ou
eu tento ouvir o que ela diz sobre conviver
sobre como viver
sobre como viver com o que ficou
tentando conviver com você de outras formas
com o que você deixou
tentando conviver com o que resta
sem comer as migalhas
não foram migalhas
o que resta não são migalhas
o que resta é algo tão grande que só posso comer assim
devagar
mastigando cada pedaço
que ainda tem muita fome pra matar
ainda tenho muito o que digerir
não posso simplesmente engolir
esse fruto verde caído no chão não mata
minha fome esse fruto caído não mata a minha fome
preciso comer da flor
dessa flor que não desce sempre ao chão
que marca hora
e dia
e estação
o fruto é só prenúncio
as plumas são só prenúncio
o fascínio pela queda das plumas é um prenúncio
nem a flor ao se abrir será capaz de conter minha fome
nem comendo da flor
a fome não trabalha em função de um cronômetro
a fome não trabalha em função de um ser
a fome mata
e estou pronta para comer
estou pronta para comer de novo
estou pronta para continuar comendo
devagar
desse alimento que desconheço
não para adiar a fome mas
para alimentar a fome
para continuar alimentando a fome
o corpo não aguentará esperar até a próxima queda das flores
eu vou comendo das plumas
do fruto
do chão
eu vou comendo o que mata a minha fome
sem hora sem lugar
eu vou comendo para ter mais fome
sem hora sem lugar
neutraliza o que incomoda e
devolve uma certa disposição ao corpo
não sem causa
não sem aviso
o corpo sabe que não se vive só de alimento
não se vive de um só alimento
não se alimenta de uma unica fonte
o corpo sabe que para sua manutenção a desestabilização
é mais do que pertinente
é mais do que vital
o corpo sabe que o que sente vai além das evidências
do tempo
é preciso conviver com as fomes do corpo
é preciso resistir e se afastar do que não gera fome
ao corpo
um corpo vive de sua fome
um corpo mata a sua fome
um corpo precisa da sua fome
precisa comer
precisa do sono
do sonho
precisa descansar para saciar a fome e para ter
mais fome
eu hoje como um alimento que desconheço
mesmo com o estômago enjoado
mesmo com o estômago revirado
como um alimento que parece nunca matar a fome
ele gera mais fome
mais fome
e recordo de uma voz que come meus ouvidos
ela tenta me dizer
ou
eu tento ouvir o que ela diz sobre conviver
sobre como viver
sobre como viver com o que ficou
tentando conviver com você de outras formas
com o que você deixou
tentando conviver com o que resta
sem comer as migalhas
não foram migalhas
o que resta não são migalhas
o que resta é algo tão grande que só posso comer assim
devagar
mastigando cada pedaço
que ainda tem muita fome pra matar
ainda tenho muito o que digerir
não posso simplesmente engolir
esse fruto verde caído no chão não mata
minha fome esse fruto caído não mata a minha fome
preciso comer da flor
dessa flor que não desce sempre ao chão
que marca hora
e dia
e estação
o fruto é só prenúncio
as plumas são só prenúncio
o fascínio pela queda das plumas é um prenúncio
nem a flor ao se abrir será capaz de conter minha fome
nem comendo da flor
a fome não trabalha em função de um cronômetro
a fome não trabalha em função de um ser
a fome mata
e estou pronta para comer
estou pronta para comer de novo
estou pronta para continuar comendo
devagar
desse alimento que desconheço
não para adiar a fome mas
para alimentar a fome
para continuar alimentando a fome
o corpo não aguentará esperar até a próxima queda das flores
eu vou comendo das plumas
do fruto
do chão
eu vou comendo o que mata a minha fome
sem hora sem lugar
eu vou comendo para ter mais fome
sem hora sem lugar