Postagens

ATO

I   Alguns braços tentaram me parar   E eu perseguia as luzes mesmo sem saber que vinha   O vestido  esvoaçante  me detinha   E pelo ar senti um cheiro familiar   Cheiro de quem está há  muito tempo em pé   Ao pé da porta   Teu olhar de espera me livrou das várias mãos que buscavam me prender   Ao enlace de mãos   Ao toque dos dedos   Foi possível ver as nuvens em seus olhos   Havia um caminho  acimentado  e cinzento a percorrer   M uitos rostos  e lágrimas para lavá -los   U ma mão para amparar    E  o banco onde o descanso parecia certo   Os e spinhos   E um estrondo   A cor ficava entre um amarelo vômito e um verde clorofila   Nenhuma corrida cabia   Nenhuma tentativa de não se deixar contaminar   Talvez tuas nuvens tenham feito algo   Talvez fosse m  nosso...

Hesitação

não te vejo há alguns dias e não respiro o mesmo ar porque tem sido estranho olhar o espelho não me vejo nem te vejo me engano e sinto que passa pelos dedos toda a minha sorte sinto meus pés falharem já não consigo estalar os nós erro o ritmo e voa solto pelo meu corpo o medo de ter certeza sobre agora ou sobre qualquer coisa ou lugar que me ligue que me instigue ou marque nenhuma certeza vem de mim nenhuma característica é forte o suficiente preciso respirar mais devagar mais devagar até acabar de vez com essa dor com a vontade de que doa mais não te vejo há cinco dias e sei o que sinto quase como um buraco que me engole ou como se eu o engolisse não sei se por cima ou por baixo se é de dentro para fora ou o contrário mas por favor me mostre sua beleza e não vá embora não saia me mostre sua beleza e fique por pelo menos cinco dias ou o suficiente para que eu possa me lembrar depois da sua partida

AMOR

eu o conheci por seus olhos. você sempre confiou nele. e isso. agora. mora em mim. entre as tormentas e os bons ventos. sempre fomos nós. você sempre iluminou meus olhos. e me ajudou a alimentar a alma. você é mais do que eu merecia. e dói não conseguir lhe dizer. me faltam todas as falhas palavras. que nunca preenchem os espaços. você sempre olhou por mim. e teu cuidado me fez grande. e forte. e confiante. e lhe agradeço por isso. porque me deu a alegria de te ver crescer. de ir além da margem. 

Poço

desci o mais fundo que pude para garantir que as feridas fossem feitas refeitas e nunca compensadas cheguei a juntar cacos cortei os dedos quase arranquei a mão desci desci o mais fundo que pude Pude enxergar a mão  –  pousou suave, macia e delicada  –  me envolver e alimentar, com alguma presteza que nunca esperei e com uma determinação assombrosa. Surgia em mim, com uma timidez desnecessária, uma fúria desconhecida.  Poderia ter sobrevivido apenas com uma dose. Mas eu sabia, precisava me encher para satisfazer a alma. O alimento era irreconhecível. Meu paladar, já muito gasto, foi obrigado a tolerar o não sabor e com repulsa engolir todos os pedaços. Uma substância que só desce com o auxílio de um colher de pau que o empurre goela abaixo.  Desceu. Assim como eu desci. E sem volta, permaneci.  Depois de tantos arranhões soube que só um sopro, muito forte, levaria para longe todo sangue que ficou sob a pele. Torcendo para que não arde...