Postagens

d.

Imagem
poderia nunca lhe enviar uma resposta e comer meu silêncio e minhas lágrimas sozinha poderia ter comido os poemas e me saciado sozinha aos prantos poderia ter ficado com o gozo dos poemas só pra mim não sei se deveria lhe responder assim mas preciso lhe endereçar algo que não sei porque nem como quero lhe entregar ou devolver já que eu comi seus poemas me vem uma imagem quatro peixes um fundo verde e uma frase não decifro o que você diz eu não entendo e isso me corta de alguma forma para os únicos que precisam entender ou talvez a frase seja só para aqueles que precisam entender se vier em outro tom pode ser para aqueles que precisam entender incluindo outros três amigos um peixe para cada um não sei bem o lugar mas tem uma forma de dizer isso a outra imagem que surge é anterior a essa dos peixes você está diante de uma escultura de madeira sentada ao chão e pede para olhar bem a cada vez que você sopra a estrutura mini peixes sobem até a superfície eles s...

março de 2018

eis mais um golpe bem no meio do estômago bem na zona central onde os alimentos são depositados onde deveria estar nossa energia onde deveríamos manter nossa fonte de energia eis mais um golpe bem na boca do estômago que faz tudo voltar que faz toda possibilidade de alimento ser regurgitada jogada ao chão matar não é dominar, mas aniquilar, renunciar em absoluto à compreensão disse Lévinas exterminar vem da frase latina ex termine ou além das fronteiras como bem apontou Noemi Jaffe e suplicam para que não politizem a morte para que não politizem a vida para que não politizem nada que política não resolver nada que politizar não resolve nada e se esquecem que ninguém nunca viu essa política que ela nunca se fez nunca chegou até nós que a vida nunca chegou até nós e isso tudo é um Estado de polícia continuar não compreendendo continuar não ouvindo nem dialogando nem nada só fortalece o Estado de polícia que o Nem já sabe que ele sempre soube da posição de peão...

[atearam fogo na cidade até apagarem o fogo da justiça]

não há fogo da justiça o fogo que ficava posicionado ali nunca mais foi aceso nunca mais tive acesso ao fogo que se portava como justiça e nunca foi acendido nunca foi colocado como uma possibilidade de ser acendido nunca o toquei nunca tentei tocar nem para provar sua natureza flamejante já senti seu calor ali bem perto depois das escadas já senti seu calor em um dia chuvoso foi o mais perto de um fogo da justiça sempre aceso que cheguei quando busco sua história o que vejo são outros relatos outros dados impertinentes outras formas disformes outros nomes que não falam de justiça vândalos bárbaros destruidores policiais esse é o fogo que tocamos esse é o fogo que devasta o fogo da justiça não aquece ele queima ele depreda tudo que vê pela frente policiais militares são flagrados atirando na direção de manifestantes policiais militares flamejantes coisas flamejantes manifestantes são postos como vândalos e depredam monumentos e a cidade segue caindo cad...

partes // oír the chanson

Imagem
1. me gusta hablar sola como quién ha conocido un otro ahora sobre la ventana junto al viento 2. encuentro tu rostro sobre la cama no se si estas bien hay una hendidura que no se mueve 3. las voces me han ensordecido quedó deseando las apariciones tu y yo la lengua y tu mirada o como se dice en otras lenguas quedarme en silencio hasta que el viento me mueva 4. escucho la canción para que mi corazón pueda dormir [como si todo no fuera un rastro de ti] Bedroom of Railway Worker, De Aar, 1984. Roger Ballen.

entre o morro vermelho e o camargo corrêa

o morro vermelho não parece combinar com o camargo corrêa que fica ali ao lado essa paisagem não parece combinar com nada do que conheço desaprendi a andar entre multidões meus pés querem falhar a todo instante e pareço me dissolver nos pingos que caem o morro vermelho está meio laranja o camargo corrêa tem agora um verde claríssimo as escadas muito conhecidas e gastas não me sustentam muito bem caminho por esse chão fazendo um trajeto já muito conhecido [e gasto] tentado manter os passos firmes atravessando a rua antes do sinal fechar não posso parar de andar não posso parar de mover os pés não posso parar para olhar pra trás tudo me é estranho até mesmo o mover dos braços ao lado do corpo até mesmo o peso que meu corpo tem enquanto ando a cada degrau respiro com mais dificuldade caminho como quem está prestes a cair não vi o buraco cair nem vi a profundidade dele esse dia não é sobre ontem vivi esse dia do fim à algum tempo entre papéis que precisava dei...

contornando

pretendo acaso seja bom pretender carregar sobre o corpo um contorno alheio não como quem deseja mostrar ao mundo um domínio que não tem [um corpo que não seja meu] mas para deixar a vista as marcas boas que me encaminham isso pode ser acaso seja bom desejar que seja uma forma de deixar a vista os vários contornos que ao redor do meu corpo [que não vai suspenso, esse corpo do qual me aproprio] se colocam até mesmo os que já foram os que não voltaram os que se despediram pretendo com certa dificuldade deixar que meu corpo ganhe outros contornos e com o tempo mude e mude novamente pretendo deixar que meu corpo só se sirva dos contornos que acrescentam ainda que o acréscimo tenha sido a muito tempo atrás desejo como quem deseja um lugar pra repousar que meu corpo se cerque de contornos leves para não alterar o peso mas mudar a forma de enxergar o mundo

SUMAÚMA

o alimento devolve ao corpo um certo vigor neutraliza o que incomoda e devolve uma certa disposição ao corpo não sem causa não sem aviso o corpo sabe que não se vive só de alimento não se vive de um só alimento não se alimenta de uma unica fonte o corpo sabe que para sua manutenção a desestabilização é mais do que pertinente é mais do que vital o corpo sabe que o que sente vai além das evidências do tempo é preciso conviver com as fomes do corpo é preciso resistir e se afastar do que não gera fome ao corpo um corpo vive de sua fome um corpo mata a sua fome um corpo precisa da sua fome precisa comer precisa do sono do sonho precisa descansar para saciar a fome e para ter mais fome eu hoje como um alimento que desconheço mesmo com o estômago enjoado mesmo com o estômago revirado como um alimento que parece nunca matar a fome ele gera mais fome mais fome e recordo de uma voz que come meus ouvidos ela tenta me dizer ou eu tento ouvir o que ela diz sobre con...