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partes // oír the chanson

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1. me gusta hablar sola como quién ha conocido un otro ahora sobre la ventana junto al viento 2. encuentro tu rostro sobre la cama no se si estas bien hay una hendidura que no se mueve 3. las voces me han ensordecido quedó deseando las apariciones tu y yo la lengua y tu mirada o como se dice en otras lenguas quedarme en silencio hasta que el viento me mueva 4. escucho la canción para que mi corazón pueda dormir [como si todo no fuera un rastro de ti] Bedroom of Railway Worker, De Aar, 1984. Roger Ballen.

entre o morro vermelho e o camargo corrêa

o morro vermelho não parece combinar com o camargo corrêa que fica ali ao lado essa paisagem não parece combinar com nada do que conheço desaprendi a andar entre multidões meus pés querem falhar a todo instante e pareço me dissolver nos pingos que caem o morro vermelho está meio laranja o camargo corrêa tem agora um verde claríssimo as escadas muito conhecidas e gastas não me sustentam muito bem caminho por esse chão fazendo um trajeto já muito conhecido [e gasto] tentado manter os passos firmes atravessando a rua antes do sinal fechar não posso parar de andar não posso parar de mover os pés não posso parar para olhar pra trás tudo me é estranho até mesmo o mover dos braços ao lado do corpo até mesmo o peso que meu corpo tem enquanto ando a cada degrau respiro com mais dificuldade caminho como quem está prestes a cair não vi o buraco cair nem vi a profundidade dele esse dia não é sobre ontem vivi esse dia do fim à algum tempo entre papéis que precisava dei...

contornando

pretendo acaso seja bom pretender carregar sobre o corpo um contorno alheio não como quem deseja mostrar ao mundo um domínio que não tem [um corpo que não seja meu] mas para deixar a vista as marcas boas que me encaminham isso pode ser acaso seja bom desejar que seja uma forma de deixar a vista os vários contornos que ao redor do meu corpo [que não vai suspenso, esse corpo do qual me aproprio] se colocam até mesmo os que já foram os que não voltaram os que se despediram pretendo com certa dificuldade deixar que meu corpo ganhe outros contornos e com o tempo mude e mude novamente pretendo deixar que meu corpo só se sirva dos contornos que acrescentam ainda que o acréscimo tenha sido a muito tempo atrás desejo como quem deseja um lugar pra repousar que meu corpo se cerque de contornos leves para não alterar o peso mas mudar a forma de enxergar o mundo

SUMAÚMA

o alimento devolve ao corpo um certo vigor neutraliza o que incomoda e devolve uma certa disposição ao corpo não sem causa não sem aviso o corpo sabe que não se vive só de alimento não se vive de um só alimento não se alimenta de uma unica fonte o corpo sabe que para sua manutenção a desestabilização é mais do que pertinente é mais do que vital o corpo sabe que o que sente vai além das evidências do tempo é preciso conviver com as fomes do corpo é preciso resistir e se afastar do que não gera fome ao corpo um corpo vive de sua fome um corpo mata a sua fome um corpo precisa da sua fome precisa comer precisa do sono do sonho precisa descansar para saciar a fome e para ter mais fome eu hoje como um alimento que desconheço mesmo com o estômago enjoado mesmo com o estômago revirado como um alimento que parece nunca matar a fome ele gera mais fome mais fome e recordo de uma voz que come meus ouvidos ela tenta me dizer ou eu tento ouvir o que ela diz sobre con...

o cuidado que meu corpo sente

eu quero dizer que gosto de como você olha para vida  porque gosto de você olhando para vida da forma como vê a vida e como isso vem sobre os ombros sem peso mas parece que vai cair, tombar, sobre mim como quem dedica um abraço longo cheio comprido e sua ternura é algo que não atinjo mas quero perto porque me olha me cuida e se os olhos, também compridos, me colocam em mim me devolve para mim, suas mãos delicadas e dedicas me conduzem a ser alguém maior mas não maior do que os outros ao ponto de explodir ser maior do que eu acho que sou seus olhos compridos me tomam e eu sem medo me deixo ir  

Depois das Imagens

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ao longo do tempo algo há se mostrar. ou serão os dentes, ou serão os medos, ou será a alma. em um percurso pouco, ou nada, ou nunca, se diz da chegada. e se digo dessa chegada, que nunca se sabe quando finda, não é possível dizer muito. o primordial é que às vinte e duas horas de viagem sejam agradáveis, que o ônibus balance pouco, que pare pouco, que chegue logo. as unhas doem e o corpo, já muito cansado, deseja uma cama familiar. a estadia traz o costume. agora, ao se deparar com os lençóis, o corpo cede porque a dor é grande.  o corpo estranha o ambiente como se desejasse estar longe onde logo se dorme  mesmo sem tanto cansaço ou onde não se cansa tanto. o retorno é uma aprendizagem, ou uma outra forma de aprender a ser de novo. e se o corpo descansa pedindo por uma cama já não está ali, ele reaprende a se colocar. diante da cama, do muro, da janela com grades diante de outro contexto, outro céu, outra gente, outro nada. se o corpo ...

Entre as Imagens

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se for para seguir um caminho conhecido, e dizer de coisas conhecidas, ou para falar de ditos quase populares, minha casa é minha vida, ou melhor dizendo, minha casa, minha vida. não é algo que ocorre separado, para haver a casa, é preciso a vida. é minha casa que é minha vida, não o contrário. no pensamento C. a casa, o bem, o rentável é a vida, se digo que sem a vida não há casa isso é quase uma violência. Lygia diria que a casa é o corpo, que o útero da mãe é a casa, onde se aconchega, mas se o corpo for a casa como supõe Wurm, a casa segue sendo parte do corpo, ou melhor, consequência do corpo. se o corporativo te diz que é o endereço é o que conta, esse corpo estranho, sobretudo armado, ele pressupõe que o corpo é só mais um corpo e não uma casa. o corpo que caí, que tomba, não há de se erguer nunca mais. em média isso acontece a cada 23 minutos. mas não só esse corpo, esse que tem uma marca claramente visível, esses todos que virão montanhas. sucumbem até o fim. e...